São Paulo exige mudanças
São Paulo é uma cidade atravessada por contradições. Um em cada cinco paulistanos está desempregado; 12 paulistanos em cada cem estão abaixo da linha de pobreza. Enquanto um em cada seis habitantes mora em favelas ou habitações precárias, os especuladores imobiliários privatizam o espaço público, deixando inúmeras moradias desocupadas. O trânsito que parou São Paulo é apenas um exemplo da desregulação do espaço urbano que tomou conta do município. Ao mesmo tempo, os sistemas de saúde e de educação seguem transformados em mercadoria para quem pode pagar. Esses dados escondem a face mais trágica da cidade e são frutos da apropriação desigual da riqueza produzida.
A candidatura Ivan Valente a prefeito e a proposta do PSOL/PSTU para governar São Paulo nascem da negação desta lógica perversa e da afirmação de que:
- é preciso mudar pra valer a dinâmica que faz com que a cidade das oportunidades seja a cidade da pobreza e do desemprego. É possível separar sustentabilidade ambiental da condição de pobreza em massa;
- os espaços públicos não podem ser apropriados por uma minoria privilegiada, privatizados e cercados. O espaço urbano não pode ser colonizado pelo mercado imobiliário e pela especulação com a terra;
- o automóvel não pode continuar sendo a matriz de transporte do município, com todas as conseqüências nefastas na qualidade de vida, seu papel central na fragmentação e no desmonte dos espaços públicos, na afirmação do individualismo e da negação do coletivo;
- é necessário resgatar laços de sociabilidade e solidariedade da cidade, combater a violência urbana vista como “normal”, mas que elimina o convívio social e gera desconfiança na sociedade;
- é preciso afirmar a cidadania com seus direitos universais em contraposição à lógica mercantilista do consumidor, que exige o pagamento por produtos e serviços;
- é necessário combater a prática muito difundida de que o papel do Estado é apenas regulador e “capacitador” do mercado e reverter o caráter privatista e anti-democrático do aparelho estatal;
- os cidadãos precisam se apropriar de São Paulo, lutando por parcelas do poder para superação das desigualdades e pela formação de uma consciência crítica libertadora, que possibilite a construção de um futuro digno para todos nesta cidade. É o próprio capitalismo neoliberal quem está matando a cidade dos cidadãos e construindo uma cidade segregacionista, conformada em guetos e espaços “revitalizados”.
Essa candidatura sabe que esta realidade tem como pano de fundo uma lógica neoliberal privatista-consumista, praticada no espaço urbano, que nega o papel decisivo que o Estado tem nas respostas às necessidades da população e como indutor de qualidade de vida, quando está a serviço das necessidades das maiorias excluídas.
A garantia dos direitos dos cidadãos na cidade de São Paulo passa necessariamente pela afirmação de um projeto político de radicalização da democracia, de protagonismo popular na definição dos rumos desta cidade. Um projeto de transformação social para São Paulo nasce necessariamente da articulação entre a ampliação dos investimentos públicos para a garantia dos direitos sociais e uma ampla participação popular sobre a condução das políticas públicas no município.
Por acreditar que mudanças efetivas só virão com pressão popular de baixo para cima e enfrentando interesses poderosos, esta candidatura vai combater os mecanismos autoritários de gestão e instaurar o planejamento participativo, a democracia protagonista e o controle social; vai auditar a dívida pública do município, estancando esta sangria de recursos; vai inverter prioridades para falar de verdade em educação, saúde e transporte público de qualidade; e governar com transparência absoluta e ética na política, atacando na raiz a corrupção.
Essa candidatura à Prefeitura de São Paulo vem para resgatar a coerência programática e mostrar que a esquerda socialista brasileira não se rendeu aos encantos do poder. Ela reafirma projetos e valores que se contrapõem tanto à forma conservadora e elitista de se fazer política quanto àqueles que abandonaram o projeto de mudança e se adaptaram ao jogo tradicional da velha política.
Ivan Valente tem história, é talhado para este desafio e representa o diferencial político, programático e ético de uma esquerda autêntica, democrática, popular e socialista na Prefeitura da maior cidade do país.

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