CULTURA

(programa em construção)

A cultura deve ser entendida como um direito de cada cidadão e cidadã, e não como um privilégio de quem pode pagar para ter acesso a ela. Da mesma forma, a coligação Alternativa de Esquerda para São Paulo acredita na importância de romper com a idéia de cultura enquanto algo erudito, destinado aos poucos abastados. Queremos valorizar a diversidade cultural existente na cidade de São Paulo, que abrange uma gama de tradições, raças e povos distintos que, além de se expressarem, devem se reconhecer mutuamente.

Nossas propostas para a cultura:

• Democratizar o acesso aos bens e equipamentos culturais: é prioritário investir na construção de equipamentos como bibliotecas públicas, salas de teatro, salas de cinema, espaços de exposição, sobretudo nas comunidades onde acesso à cultura ainda é restrito.

• Romper a dicotomia produtor/espectador: investir em cultura não significa apenas levar o espetáculo ao público. É preciso também investir em formação que inclua a criação/ampliação das escolas livres de música, artes cênicas, audiovisual e uma política de oficinas/cursos em bibliotecas públicas, CEUs e escolas municipais.

• Apoio às expressões culturais de raiz brasileira: garantir uma porcentagem prioritária para que as expressões culturais de raiz brasileira (culturas afro-brasileira, indígena, nordestina) se expressem sem nenhum prejuízo, visando a ruptura dos preconceitos e dicotomias existentes na sociedade atual.

• Inverter a lógica das leis de incentivo: hoje as intervenções diretas do poder público no fomento à cultura estão pautadas pela lógica de mercado, que reproduz desigualdades continuamente. Pretendemos descentralizar as leis de incentivo para que elas possam garantir a vazão da efervescência cultural, sobretudo das regiões da periferia de São Paulo.

• Contrapartida social ao fomento do poder público: os grupos que recebem incentivos fiscais públicos para a expressão da diversidade, devem, de alguma forma, destinar parte deste incentivo para utilidade pública. Esta contrapartida social deve ser de no mínimo 25% do total produzido, isto é, seja com gratuidade em ¼ (dos eventos que não forem gratuitos), seja por meio da formação cultural da população.

• Recuperação e preservação do nosso patrimônio histórico: é preciso investir na preservação do patrimônio público histórico e cultural de São Paulo. Para isso, é de suma importância a participação das comunidades e populações que ocupam estes espaços. As políticas de revitalização postas em prática nas gestões Serra/Kassab são concebidas a partir da idéia de “higienização social”, sobretudo na região do centro. Acreditamos que é possível recuperar o centro histórico, garantindo a inclusão da população que nele habita.

• Resgate de regiões fundadoras de São Paulo: muitos bairros da cidade de tradição fabril, cuja população formou-se a partir do princípio da industrialização, foram absolutamente negligenciados pelos governos neoliberais. É o caso do Ipiranga, da Mooca, da Vila Prudente. É preciso promover o resgate dessas regiões, não apenas do ponto de vista estrutural como também pela valorização de seu povo, e assim retomar seu caráter importante para a nossa própria história.

• Construção do Museu dos Trabalhadores: queremos contar a história da formação das comunidades constituídas em torno das fábricas, tal como a história riquíssima do movimento operário em São Paulo e suas lutas, que contribuíram para a conquista dos direitos trabalhistas que hoje defendemos e queremos ampliar. Hoje existem inúmeras fábricas abandonadas que podem se tornar espaços culturais.

• Criação um estúdio público: há efervescência artística e cultural espalhada por toda a cidade, de todas as matizes, estilos, sonoridades e linguagens. Mas essas se encontram excluídas pelos limites impostos pela indústria cultural. É preciso romper os limites que a indústria fonográfica impõe ao povo, criando possibilidades para produções artísticas diversas e incentivando o trabalho de artistas oriundos das classes mais populares.

• Criação de uma editora pública municipal: hoje existem espalhados pela cidade trabalhos literários de excelente qualidade. No entanto, muitas produções acabam restritas a um circuito local estreito ou ficam no anonimato. Com a criação de uma Editora Pública as publicações populares terão o espaço que não encontrariam nas grandes editoras